sexta-feira, 12 de junho de 2015

Quem foram os filósofos pré-socráticos? Quais suas ideias mais importantes?

Quem foram os filósofos pré-socráticos? Quais suas ideias mais importantes? 


RESPOSTAS 

     Os filósofos pré socráticos existiram entre os anos de 624 a.C. e 399 a.C. Os pensamentos desses filósofos estão divididos em escolas filosóficas, cronologicamente organizadas em escola jônica, escola itálica, escola eleática, escola da pluralidade e escola eclética. 
     Os filósofos mais importantes da escola Jônica podemos destacar Tales de Mileto, Anaximenes, Anaximandro e Heráclito de Éfeso. Eles também são denominados filósofos naturalistas, pois seus estudos estavam centrados nos elementos essenciais de constituição da natureza, como água, ar, fogo e terra.
     Andiara - Entre as principais ideias de Tales estavam à crença de que todas as coisas estavam cheias de deuses e que a água era o elemento fundamental de constituição de toda a natureza. 
     Foi Tales também que previu o eclipse solar de 585 a.C., foi responsável pela mudança do curso do rio Nilo para a passagem dos soldados gregos, sugeriu a centralização política da cidade de Teos, criou a prova geométrica através do método dedutivo e o guia de navegação pelas estrelas (há controvérsias). Os pensamentos de Tales foram propagados por seus discípulos, pois não existem registros produzidos pelo próprio Tales. Anaximenes foi discípulo de Tales e acreditava que o ar era o elemento fundamental da natureza. Esta crença está expressa no único registro deixado por ele, a frase "Como nossa alma, sendo ar, nos mantém unido e nos controla, assim faz o vento (ou o hálito) e (o)ar guarda o mundo inteiro".  

Laellya - O conhecimento sobre os três filósofos milesianos se dá através de relatos de outros (?). Anaximandro, sucessor  e pupilo de Tales, viveu entre 610 e 546 a.C. e foi uma combinação de astrólogo, geólogo, matemático e físico, além de filosofo. Foi ele quem provavelmente introduziu o 'gnomon', relógio solar baseado no movimento da sombra. O primeiro que ousou desenhar o mundo habitado numa prancha. Há um livro sobre a natureza atribuído a ele onde sua façanha intelectual serviu como inspiração e exemplo para muitos pensadores que o sucederam. Anaximandro afirmava que a substância primordial do mundo era o "apeiron" que não teria fronteira,  limites ou definição. O filósofo descreveu o apeiron como envolvendo todas as coisas ilimitadamente e como sendo aquilo com base no qual todos os céus e todos os mundos nele inserido tornam-se existente.    O apeiron é mutuamente princípio e elemento.  
     Heráclito de Éfeso viveu entre 540 e 480 a.C. e era de família aristocrática de Éfeso. Afirmava que o mundo não havia sido criado, mas que sempre existiu. Como todos os pensadores pré-socráticos meditou que a mudança é incessante e universal. O fluxo, o fogo e o a unidade cósmica foram os temas principais deste filósofo.   Argumentava que a coerência e a estabilidade persistem dentro de e por causa do processo contínuo de mudança. A sabedoria consistiria no reconhecimento desta coerência subjacente e da unidade de todas  as coisas.    Heráclito reconhecimento e, por e exploração,  que é a doença que faz a boa saúde,  e que o cansaço revela os benefícios do descanso. O oposto pode tá relacionado de diversas formas. Um caminho observado com base em um ponto de vista pode ser percebido como uma subida; e por outro, como uma descida. Pares opostos podem formar unidades e pluralidade. As ideias de Heráclito nos atingem de maneira profunda  e de modo diferente das ideias dos milesianos. Suas perspectivas é particularmente mística. Trata-se  de um filósofo de difícil interpretação,   que recorre a muitas das nossas intuições, o que por outro lado fascina aqueles que o estudam. 
     Séfora - Pitágoras de Samos (580 – 500 a.C) foi o principal filósofo da escola itálica. Nascido em Samos, dissidente da Escola Jônica, desenvolveu suas atividades no sul da Itália, afastando-se da concepção naturalista daquela. Defendia a ideia de que o número era a origem do cosmos, que a Terra e o Sol giravam em torno de um fogo central e que o mundo respirava o ar ilimitado pelo qual estava envolvido. Engajou-se no estudo da aritmética e da geometria e desenvolveu o Teorema de Pitágoras, segundo o qual o quadrado da hipotenusa de um triângulo retângulo é igual à soma dos quadrados dos catetos. Aristóteles cita a Tabua Pitagórica de Opostos como contribuição de Pitágoras à filosofia, pois trazia dez princípios com ideias opostas que governam as atividades humanas.   
     Kellyson  Xenófanes de Cólofon foi dos principais nomes da escola eleática ao lado de seu discípulo Parmênides.  Xenófanes criticava o modo de pensamento grego da filosofia antiga, ou seja, era totalmente contra o antropomorfismo. Isso implica que ele repudiava o pensamento de que os deuses tinham a aparência e os costumes semelhantes aos dos homens, pois, para ele, Deus era um ser único, imensurável e perfeito e não poderia se atribuir características físicas e nem sentimentos a um DEUS. 
     Xenófanes também foi um grande poeta andarilho. Ele viajou diversas por colônias gregas itálicas, sempre buscando inspirações para seus poemas. Ele valorizava a sabedoria e os prazeres vividos socialmente de forma moderada e acreditava que da terra é que surgiam todas as coisas. Que na terra nascemos e que nela terra morreremos. 
     Parmênides de Eléia foi o fundador da escola eleática e talvez o filósofo que mais influenciou os pensamentos de Sócrates e Platão. Ao contrário de Heráclito que recitava que o mundo estava em constante mudança, Parmênides defendia o conceito de que nada muda, tudo é uno. Um dos conceitos mais marcante dele foi “Se este algo existe, então podemos deduzir que este algo não pode não existir’’ e na contradição lógica de que “o frio é a falta de calor e o calor é a falta do frio’’, ou então que “a luz é a falta do escuro e o escuro é a falta de luz”. Esta crença lhe atribui a questão muito clara do “Ser e do Não-Ser”.   
     Na escola da pluralidade podemos destacar Leucipo, Demócrito, Empedogles e Anaxágoras.
     Ana Paola - Leucipo postulava átomos e o vazio, e Demócrito compartilhava com ele da mesma teoria. Associou se a Parmênides em Filosofia, mas sua interpretação da realidade tomou rumos diferentes. Enquanto Parmênides considerava o todo como uno, imóvel, não criado e limitado, Leucipo postulava inúmeros elementos em movimento perpétuo. os átomos. E sustentava que o número das formas era infinito. Observou também que o nascer e a mudança são incessantes no mundo. Para Leucipo, o não ser existe assim como o ser, e ambos são a causa do nascimento das coisas. A natureza dos átomos era compacta e cheia (ser), e movia se no vazio (não ser). O ser difere só em ritmo, contato e revolução.
     Demócrito também sustentava que os elementos são o Ser (cheio) e o não ser (vazio). Ser cheio é sólido e não ser é não denso. Para ambos os corpos ocupam espaço e o vazio só existe onde os átomos não estão. Demócrito foi um grande autor em outros ramos da ciência e escreveu livros como "O grande sistema do mundo" sobre atomismo e física e o "Pequeno sistema do mundo" sobre cosmografia e os planetas. Diz se que viajou até o Egito para visitar os sacerdotes e aprender geometria. Foi a pérsia visitar os caldeus e ao mar vermelho. Associou se aos filósofos nus na Índia, e também foi a Etiópia. Desenvolveu a teoria da percepção. O trabalho de Leucipo de Eleia e Demócrito de Abdera deu estímulo ao desenvolvimento da moderna Teoria Atômica.
     Amsterdam Thiago – Sobre Empédocles de Agrigento (490 a.C. - 430 a.C.), com uma escrita que visava encantar e convencer emocionalmente, Empédocles expressou em belos versos o seu modo de pensar bem como seu conhecimento sobre a Natureza e sobre religião. Empédocles é considerado o último filósofo grego a escrever em versos e os fragmentos que restam de suas lições estão em dois poemas: Purificações e Sobre a Natureza. Retomando as
discussões dos primeiros filósofos, Empédocles concordava que a Natureza possuía uma só origem, mas inovou ao pensar essa origem não apenas derivada de um princípio único, mas sim composta de quatro raízes fundamentais: terra, fogo, ar e água. Segundo Empédocles, era a partir da reunião e separação desses elementos que todas as coisas surgiam. O DEVIR ou movimento e transformação, geração e corrupção das coisas, surgimento e desaparecimento delas, devem-se à mistura desses elementos distribuídos em várias proporções. O que caracterizava cada ser era a predominância de um ou outro destes elementos, sendo que um nunca se transforma no outro, mas somente se distribuem diferentemente nos seres. No entanto, mesmo considerando os quatro elementos fundamentais que sempre permanecem em todas as transformações, a causa que provocava a reunião ou separação destes elementos era extrínseca a eles: conforme Empédocles, o Amor e o Ódio são os dois elementos universais que proporcionam o movimento de reunião e separação das substâncias. Empédocles deve ter percebido que amor e ódio aproximam e afastam os seres humanos e por isso elevou-os à categoria de forças antagônicas cósmicas capazes de realizar o processo de atração e repulsão. Para nosso filósofo, os opostos não se atraem, mas pelo contrário, o semelhante atrai o semelhante e o dessemelhante afasta o dessemelhante. E esse movimento é considerado eterno, um ciclo constante no qual, quando prevalece a harmonia, é porque o Amor está atuando. Quando é a desarmonia ou desequilíbrio que prevalece (seja na política, na saúde, no emocional etc.) é porque o Ódio está atuando. Com essa visão, Empédocles inaugura a forma “pluralista” de pensar a Natureza. Isso quer dizer que vários elementos são os constituintes da realidade, não apenas um como pensavam os primeiros filósofos.
     Sobre Anaxágoras de Clazômena (500 a.C – 428 a.C) afirmou que a Natureza é eterna e por isso não pôde ser nem criada e nem pode ser destruída. Fazia parte daqueles que acreditavam em uma pluralidade de elementos constituintes dos seres. Conforme Anaxágoras, cada coisa surge quando vários elementos se agregam, e desaparecem quando esses se separam. Ele pensava que as coisas ou seres eram compostos com qualidades semelhantes que, ao serem divididas ao infinito, se repetiam em cada porção. A esses elementos-qualidades, que associadas geram o ser, Anaxágoras chamou de Noûs (espírito, pensamento, inteligência). O Noûs é o princípio ou arché de todas as coisas. É ele que fornece as leis do pensamento que se sobrepõe aos sentidos para conhecer e governar o universo. É preciso entender que o pensamento está nas coisas também, não é algo separado delas. Tudo tem causa e essa é sempre natural, física, ainda que o espírito aqui seja concebido materialmente. Por exemplo: em um fio de cabelo, por menor que seja a partícula que o divide, nela contém todos os elementos do universo. “Tudo está em tudo”, afirmou Anaxágoras. E com isso, o Noûs é a matéria, a substância que causa tanto a agregação quanto à separação dos elementos que constituem os seres. Por seu pensamento inovador, Anaxágoras foi acusado de impiedade (não crer nos deuses) e condenado à morte, mas conseguiu fugir antes de ser pego. Os deuses eram descartáveis, segundo o filósofo, justamente porque o essencial para que cada coisa existisse já estava contido no Noûs.
     Rosemary - E, finalmente, na escola eclética destacamos os filosóficos Arquelau de Atenas e Diógenes de Apolônia. 
     Arquelau de Atenas contribuiu muito pouco para a filosofia, mas se destacou pelo fato de ter sido discípulo de Anaxágoras e professor de Sócrates. Ele tenta introduzir algo de original no estudo da origem e do desenvolvimento do universo mas mantém os mesmo princípios de Anaxágoras. Ambos sustentavam que os princípios são infinitos em número, mas diferentes em o espécie. Os principais pontos revistos por Arquelau foram o espírito, a substância primária, as quatro massas do mundo e a zoogenia. O espírito, para Arquelau, é inato a todos os animais, mas alguns fazem uso dele mais rápido que os outros. A substância primária seria o ar infinito com sua condensação e rarefação. A origem do movimento foi à mútua separação do quente e do frio, o primeiro com movimento e o segundo estático. Os homens e os animais nasceram primeiro da umidade, vindos da parte mais baixa onde o quente e o frio se misturavam. A água se liquefez por ação do quente que se junta e desce para a região mais baixa, forma a terra e na medida que volta cria o ar. A terra seria imóvel com bordas altas e côncava no meio, por isso o sol não nasce e se põe ao mesmo tempo para todos os homens.  
     Diógenes de Apolônia é considerado o último dos filósofos pré-socráticos, fez do ar o elemento primário. Para ele as coisas se originavam de um mesmo elemento que seria o ar infinito e inteligente. Esse ar inteligente administra e governa tudo e se assemelha com Deus, pois está em todas as partes. O que difere os animais é o calor das suas almas que seriam constituídas de um ar pensante que se manifesta enquanto vivemos e respiramos mas que morre através do último suspiro. Diógenes acreditava em uma terra redonda, centralizada e suportada pelo ar. Para ele existiam mundos infinitos e infinito também era o espaço. Os entes seriam diversificações de um só ser, que se tornam diferentes em circunstâncias diversas mas que retornam ao mesmo ser inicial, “Nada procede do não ser e nada se resolve no não-ser”. 

REFERÊNCIAS 
COLLISON, Diané. 50 grandes filósofocos. 2. Ed. São Paulo: Contexto, 2004.

*Qual a história de Pênia e Poro na mitologia grega? Como essa história se relaciona com a Philosophia???


*Qual a história de Pênia e Poro na mitologia grega? Como essa história se relaciona com a Philosophia???

Adriana Araújo, Alessandro Silva, Cinthia Araújo, Jeckson Mafra, Jonas da Silva, Jussara Cardoso

Poro (abundância) é uma personificação da riqueza.
Pênia: era a personificação da pobreza.

Mito: 
A fim de comemorar o nascimento de afrodite, todo o Olimpo festeja e, ao final, quando todos estão embriagados, surge Pênia, uma figura muito magra, em trajes esfarrapados, mendigando os restos.
Deitado no jardim de Zeus, ela vê Poro, o filho da prudência, afastado de todos. Pênia buscava justamente obter algum recurso, decide então ter com ele um filho, EROS o deus do amor.
Por ter sido gerado no dia do nascimento da deusa da beleza, o amor ser-lhe-á o companheiro e terá características únicas: Nem mortal, nem imortal, pois surge e desaparece, filho que é da falta e da abundância-herança da mãe e do pai.

Relação com a Philosophia.
O personagem fruto desse amor aproveitador, vive num conflito em busca do seu ser e do seu ente, ao mesmo tempo que os dois são separados oriundos das qualidades dos seus pais, ele vive esse conflito. Através da relação entre Pênia e Poro, nasceu Eros. Apesar de ter herdado características de seus dois pais, características essas que não são harmoniosamente estáveis, pode-se considerar sua natureza feliz, pois ele é rico em recursos potenciais, não tem nada, mas pela consciência desse seu estado quer muito. Está em penúria, mas sabe de sua penúria; quer sair de si e aspira por saber, por beleza e fecundidade. Essa constante certeza e aspiração de mudança, torna Eros, filho de Pênia e Poro, um deus filósofo, pois ele representa bem a dualidade da vida e das situações das quais estamos cercados.
As características da natureza de Eros tem uma relação muito próxima com a filosofia porque é por estar no meio, entre a ignorância e o saber, que o amor é filósofo. Segundo a sábia Diotima de Mantineia, um Deus não filosofa, já que é ciente de que sabe (Simpósio, 204 b); o ignorante não filosofa, pois nem mesmo sabe que não sabe. Eros está consciente da carência e aspira, com todo o seu ser, preenchê-la. Parte à conquista do saber, e é essa busca ou conquista que alude à alegoria da caverna, depois do filósofo ter percorrido o caminho ascendente e descendente, pode-se chamar, então, a isso de filosofia. Por isso é que Sócrates se parece tanto com ele. Sócrates transfigura a imagem divina e humana de Eros e representa a encarnação viva da filosofia. Nele, a humanidade se reconhece indigente, ao mesmo tempo, em que vê nele também a possibilidade de contemplar o absoluto, ou seja, de ser como Eros, sempre em busca da verdade. Os extremos sabedoria e ignorância, personificados na figura de Poros e Penia, respectivamente, irão fortalecer ou fundamentar o propósito de Eros. Nesse sentido, pode-se dizer que Eros contempla o aspecto dos imortais e dos mortais através do valor que se dá à natureza da vida. O sentido dar-se-á na esfera finita ou, ainda, se manterá por toda a eternidade.



Bibliografia:
Dicionário Aurélio;

Enciclopédia Mitologia - Cap II: Divindades Primordiais - Eros.

Que relações há entre a sociologia e o capitalismo

Que relações há entre a sociologia e o capitalismo
Ana Paola Ottoni, Cinthia Meirelly de Araújo Elpídio, Jekson Mafra Lira dos Santos, Jussara A. Cardoso da Silva, Rosemary Gonçalves Dias, Vitória Ventura, Ygor Matheus Medeiros Anário


O que é sociologia?
É o estudo da sociedade. O surgimento e a formação da sociologia coincidem com o momento de grande expansão do capitalismo. O mundo moderno é o mundo criado pelo capitalismo. O nascimento do mundo moderno se dá através do desenvolvimento e também da mistura de urbanização e de industrialização. A ciência que estuda a sociedade, a sociologia, só se estabelece na prática com a sociedade moderna, como um instrumento para lidar com o mundo moderno. Seria a ciência que ajudaria a entender como funciona a sociedade O desenvolvimento da sociologia como ciência, tem como base a existência de uma burguesia que se distancia de seu projeto de igualdade e fraternidade, e que, rapidamente, se comportava no plano político de forma menos liberal e mais conservadora, utilizando-se de todos os meios para assegurar sua dominação. O aparecimento de grandes empresas, monopolizando produtos e mercados, a eclosão de guerras entre as grandes potências mundiais, a intensificação da organização política do movimento operário e a realização de revoluções socialistas em diversos países, eram realidades históricas que abalavam as crenças na perfeita civilização capitalista. A sociologia ajudaria a compreender porque a sociedade passava por este momento. Na verdade esta ciência da sociedade faria mais que isto, ela seria semelhante a um instrumento de conserto, que ajudaria a resolver os problemas sociais: iria esclarecer como funciona a sociedade e indicaria o que deveria ser feito para que as coisas funcionassem corretamente. A grande crise que mergulhou a civilização capitalista naquela época, não deixou de provocar repercussões no pensamento sociológico contemporâneo. A sociologia, a partir dos anos cinquenta, foi arrastada e envolvida na luta pela contenção da expansão do socialismo, pela neutralização dos movimentos de libertação das nações subjugadas pelas potências imperialistas e pela manutenção da independência econômica e financeira destes países em face dos centros metropolitanos. É neste contexto que surge a figura do sociólogo profissional, que passa a desenvolver as suas atividades de correção da ordem, adotando uma atitude científica neutra e objetiva, institucionalizando a sociologia como profissão e do sociólogo como um técnico, um profissional como outro qualquer.

MARIA MONTESSORI

MARIA MONTESSORI


História

Maria Montessori nasceu em 31 de agosto de 1870. Formou-se em Ciências Contábeis e após grande relutância, se matriculou na faculdade de Medicina. Foi a primeira mulher diplomada nesse curso, na Itália.
Depois de concluir sua formação em Medicina, em 1896, é nomeada assistente na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma, dedicando-se ao tratamento de crianças deficientes. E em 1898, num congresso pedagógico, em Turim, Montessori ressalta a importância dos cuidados a serem dispensados a crianças deficientes, que até então eram julgadas como fora da lei.
Após o congresso pedagógico de Turim, Maria Montessori é encarregada, pelo então Ministro da Instrução Pública, Guido Baccelli, a organizar um curso para mestres em Roma, sobre métodos de educação para crianças deficientes.
Em virtude das experiências vividas na Case dei Bambine, em Roma, Maria Montessori passa a ser conhecida por sua admirável obra pedagógica e atividades científicas.


Relações entre as ideias de Montessori e Rousseau

Pertencendo Maria Montessori à corrente do liberalismo pedagógico, há uma relação entre as suas ideias e as de Rousseau, que pode ser considerado o precursor do seu sistema de educação.
Podemos destacar entre as coincidências de suas posições a crença na educação e na ação destrutiva que o adulto, em virtude, de sua superproteção, pode desencadear sobre a criança.
Entretanto, as diferenças são muito mais numerosas e profundas. Primeiramente toda a elaboração pedagógica de Rousseau nasce de suas concepções filosóficas, enquanto em Montessori nascem de suas constatações e experiências. A segunda diferença é que para Rousseau a sociedade corrompe o homem, portanto, o ideal seria sua volta ao estado pré-social, enquanto Montessori aspira por uma sociedade melhor que acolha o homem para o seu aperfeiçoamento.
Liga-se também, o sistema de Montessori, ao grande pedagogo Pestalozzi. Maria Montessori admitia haver relação entre o seu sistema e o do mestre.


A consciência para Montessori
Para Montessori o indivíduo é essencialmente em ser dotado de consciência, nesse sentido a consciência nada tem haver com a conotação moral de cumprir deveres, tendo uma abrangência profundamente significativa. Assim, a consciência trata-se da capacidade de perceber e responder aos apelos do real, esse real significa tudo que existe como natureza criada: mundo físico, vegetal, mineral, animal, si próprio, o outro e Deus. Segundo MACHADO, 1986, p. 25:
O grande amor dos adultos, pais ou educadores, deverá se alimentar no desejo e no esforço de melhor e mais profundamente conhecer a natureza, o processo de desenvolvimento da criança, pois com esse conhecimento minucioso poderá nascer um relacionamento adequado que, afastando todo obstáculo, permitirá àquele ser de realizar tudo o que tem como potencial latente, autoconstruindo-se equilibradamente, em relação consigo mesmo, com as coisas, com os outros e com Deus.

         Esse real se caracteriza pelo poder de auto crescimento ou auto realização, sendo destinado a evoluir para uma maturidade ou plenitude. Através da consciência o homem pelo amor compreende os apelos de crescimento em si mesmo e em tudo que o cerca e pelo mesmo amor pode dar resposta a esses apelos. Dessa forma, o homem se faz um ser capaz através do amor de crescer e favorecer o crescimento do universo, a partir do seu círculo mais próximo de convívio.



O desenvolvimento psicológico da criança segundo a pedagogia de montessoriana

A pedagogia montessoriana pauta-se no desenvolvimento psicológico da criança, levando em consideração as manifestações do seu comportamento, desde o seu nascimento. Para Montessori, o homem é um ser dotado de vida psíquica que o torna um embrião espiritual. Nesse sentido, necessita de cuidados que venham a favorecer seu desenvolvimento, tanto espiritual quanto psíquico e físico. Além disso, Montessori afirma que o processo de desenvolvimento do homem se subdivide em estágios denominados “períodos sensíveis”, instituindo etapas de crescimento que se caracterizam sensível à aquisição de determinadas habilidades ou formas de comportamento.
Assim, do nascimento aos seis anos passa pela etapa da mente absorvente, tratando-se da capacidade de absorção da cultura, através da vida afetiva, motora, mental e sensorial. Em seguida, de zero aos três anos constitui-se o estágio da mente absorvente inconsciente, sendo o período intelectual criativo, encarnando em si todas as impressões que o ambiente lhe oferta, com costumes/hábitos do lugar em que reside. Além disso, nessa fase, se a criança tiver um estímulo e for auxiliada de forma correta, desenvolverá suas potencialidades pessoais. Em seguida, dos três aos seis anos, se dá o estágio da mente absorvente consciente, nesse período a criança sente necessidade de manipular materiais específicos para desenvolver sua atenção, observação, motricidade, linguagem, percepções sensoriais, relações matemáticas e ciências naturais. Sendo o momento de propor à criança jogos relacionados à classificação, comparação, associação etc. É o período de construção psíquica e moral, no qual se intensificam as relações sociais e o discernimento de atitudes desejáveis. Bem como, desenvolve a sensibilidade para ordenar as impressões que durante o período anterior registrou. Por fim, tem-se o período dos seis aos doze anos, se instituindo como um momento marcado por estabilidade, o qual se dá a imaginação reprodutiva, com grande capacidade para a atividade mental, revelando a sensibilidade para a cultura. É o período em que a cultura se encarna e se dá a construção da personalidade, também marcado por um uma forte tendência a atividades coletivas, ou seja, se constituindo como uma fase altamente social.


Materiais sensoriais

A Educação Sensorial favorece o desenvolvimento do ser humano e o crescimento do seu potencial, dos dois aos cinco anos a criança é um se sensível a tamanho, cor, cheiro, etc., e é a partir de percepções sensoriais do ambiente exterior que a criança aprimora suas capacidades de observação e discriminação. Pois toda aprendizagem parte de uma experiência concreta e é programada para compreender as ideias abstratas. Exercitando a inteligência por meio de atividades mais simples para atividades mais complexas posteriormente. Dando assim a criança uma sensação de autoconfiança, criatividade, concentração etc.
O material sensorial deve respeitar a finalidade para qual foi desenvolvido e a idade da criança a qual é destinada. Conforme o sentido, os materiais sensoriais são apresentados para o senso tátil, o senso térmico, o senso bárico, o senso estereognóstico, o senso auditivo e o senso cromático. E é por meio da “Lição de três tempos” que utiliza-se materiais aplicáveis a qualquer tipo de exercício.
No primeiro tempo a professora apresenta, com poucas palavras, o objeto de percepção qualitativa ou quantitativa, pronunciando os nomes e os adjetivos, com máxima precisão.
No segundo tempo a professora certifica-se se a criança associou o nome ou o adjetivo às percepções, sempre depois de alguns instantes de silêncio, após o primeiro tempo. A criança indicará com o dedo e a professora constatará se houve acerto Às perguntas.
Já no terceiro tempo, a criança deverá lembrar o nome correspondente à percepção, é ainda o momento de verificar-se o resultado das lições anteriores.




O ambiente na perspectiva montessoriana

O ambiente no método Montessori é tão importante que é considerado o centro de toda construção pedagógica. Pois a sensibilidade interna da criança, faz com que a criança aproprie-se das imagens do ambiente, e com o tempo passe a captar essas imagens por intermédio dos sentidos. E com isso o raciocínio vai se construindo com o tempo de acordo com as imagens que vai buscar por meio das imagens contidas no ambiente.
O local deve dispor de espaço físico o suficiente para que a criança desenvolva suas atividades espontâneas, sem obstáculos. A luminosidade deve ser fraca, já que o uso de luzes fortes provoca dissipação, por isso as cortinas são sempre bem-vindas e as janelas devem ser na altura das crianças para que elas possam manusear as fechaduras.
Todas as coisas existentes no ambiente são de uso único da criança e com finalidade definida. Contendo apenas um exemplar de cada objeto e cada um em seu espaço especifico para que dessa forma ela saiba dar valor ao objeto e saiba esperar sua vez de utilizá-lo. Os objetos estragados são retirados e só voltam ao ambiente depois de concertados, pois cada um tem sua função e pelo poder de atração que possuem ajudam o individuo a agir sozinho. O material deve ser utilizado com precisão e criatividade e com cuidado para conservação de tal.
Para Montessori os móveis devem ser na dimensão adequada, agradável e convidativa, permitindo a atividade espontânea da criança, proporcionando sentimento de segurança e familiaridade com o ambiente.
A decoração do ambiente é realizada pela criança, na disposição dos objetos, coloração das paredes e imagens que transmitam mensagens. Essas qualidades do ambiente transmitem o silêncio que nasce naturalmente. O ambiente é educativo por suas qualidades psicológicas, afetivas e a relação entre professor aluno e os alunos entre si.
 A criança dispõe de liberdade, pois sem ela o aprendizado não se desenvolverá. Não significando abandono, pois o educador irá montar um espaço composto por tudo que irá auxiliar no crescimento e afastando tudo que for prejudicial.
Educação para a fé
O amor, segundo Montessori, é o maior dom que a criança traz consigo. Uma característica inata concebida por Deus e manifestada através da “mente absorvente”, capaz de torná-las “adequadas”, ou melhor, comportadas à maneira de ser dos outros e adaptar-se a eles. Assim, na visão de Maria Montessori, a educação da fé é, em linhas gerais, a educação para o crescimento no amor aos seres criados, a si mesmo, aos outros e ao Deus criador.
Sentindo e admirando a vida, sob as mais variadas formas, é o meio pelo qual a criança, ainda no primeiro período de desenvolvimento, faz brotar a sensibilidade para o amor. Já no segundo período, dos seis aos doze anos, é através de parábolas que a criança terá a dimensão afetiva contida na relação entre os homens e Deus, o criador, segundo Montessori. E, por fim, no terceiro período, que vai dos doze aos quinze anos, “Cristo ainda é figura central da educação da fé” (p. 75).
Embora a educação para fé pensada por Maria Montessori não tenha um caráter formal, percebe-se, no seu pensamento, a ordem metodológica elaborada com a qual ela desenvolve seu pensamento.  

Referências:

MACHADO, Izaltina de Lourdes. Educação Montessori: de um homem novo para um mundo novo. Front Cover. Pioneira, 1986.